Histórico

Criada em 1938 e subordinada ao Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE/UFRJ), a Biblioteca Eugênio Gudin (BEG) integra o conjunto de bibliotecas coordenadas pelo Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI) para dar suporte bibliográfico à demanda de ensino dos cursos de graduação e pós-graduação do Instituto de Economia (IE), da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG/FACC), de Relações Internacionais (IRID) e Defesa e Gestão Estratégica Internacional (DGEI).

DEPOIMENTO: JANE MARIA MEDEIROS (BIBLIOTECÁRIA-CHEFE DA BIBLIOTECA EUGÊNIO GUDIN/CCJE/UFRJ, JUNHO 2012 – JULHO 2020), EM 07 DE FEVEREIRO DE 2019

TRANSCRIÇÃO: CRISTIANE MONTEIRO

“Olá! Eu sou Jane Maria Medeiros, chefe da Biblioteca Eugênio Gudin e que atende a um amplo público, público de Economia, Administração e Ciências Contábeis. E a nossa Biblioteca é subordinada ao Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o CCJE.

Estou aqui para, como parte de todo um programa de comemoração dos 80 anos da Biblioteca Eugênio Gudin, completados no último mês de dezembro, dezembro de 2018. E essa comemoração, essa celebração vai ter continuidade ao longo do ano de 2019, afinal uma biblioteca desse porte, que completa 80 anos num país onde a cultura e a educação ainda não tiveram seu devido reconhecimento é algo a ser intensamente comemorado.

Lá, em 1938, nós encontramos a Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas do Rio de Janeiro, funcionando de maneira isolada e encontramos, também, dois expoentes fantásticos, Professor Eugênio Gudin e Professor Otávio Gouveia de Bulhões e eles, percebendo, sobretudo, Eugênio Gudin, Professor Eugênio Gudin, ele percebe a importância não só do curso de Economia que naquela altura funcionava, tinha um caráter mais técnico, ele percebe a importância da criação da biblioteca, que naquela altura, evidentemente, não tinha o nome ainda de Eugênio Gudin. Essa biblioteca, portanto, caminha paralelamente à história do curso de Economia. E ela atende ao público, àquela altura, voltado para o objetivo que seria seu, o objetivo da biblioteca nos anos e nas décadas seguintes: democratizar a informação, dar um suporte para o funcionamento deste curso. A percepção dos dois professores citados agora há pouco foi muito interessante de entender que o curso precisava de uma biblioteca porque representaria um braço para trazer, já que o curso funcionaria como um irradiador, um polo irradiador de conhecimento na área de Economia, que era fundamental ter uma biblioteca, começar a constituir esse acervo, que daria suporte aos alunos e professores nas suas atividades de ensino e naquela altura ainda não de pesquisa, mas, sobretudo, de ensino.

Assim, essa faculdade isolada funcionou até 1946. O Professor Otávio Gouveia de Bulhões e Professor Eugênio Gudin começam a perceber que era fundamental atrelar esse curso a uma estrutura universitária, conferindo-lhe, portanto, um novo status. E assim foi feito. Em 1946 surge, então, a Faculdade Nacional de Ciências Econômicas. Muda, portanto, de nome ao ser atrelada, o curso, a Faculdade de Economia a uma estrutura universitária. Àquela altura, a atual UFRJ tinha uma outra denominação, Universidade do Brasil. E, essa história tem uma continuidade, da biblioteca junto ao curso até 1965 e, na verdade, perdura até hoje. Em 1965 há uma mudança novamente de nome do curso e passa a se chamar FEA, Faculdade de Economia e Administração. É importante que a gente fique bem atento a esta observação: se até então a biblioteca atendia ao curso de Economia passa também a ter novos usuários, na medida em que foram criados os cursos de Administração e Ciências Contábeis. São, portanto, três cursos aos quais a biblioteca passa a atender, ao longo de 1946 e até chegarmos a 1965.

Essa história vai tendo continuidade mas eu gostaria de fazer um recorte aqui para louvar a iniciativa do Professor Eugênio Gudin e também dos primeiros bibliotecários que ainda não tinham uma formação acadêmica, a Biblioteconomia não estava atrelada a uma Universidade mas eles já tinham as técnicas básicas para constituição de acervo, para desenvolver serviços que seriam ofertados, e já eram ofertados desde 38 aos alunos, professores e público em geral que frequentavam o interior da biblioteca. Já vinha cumprindo a sua função de levar a informação e dar suporte às atividades realizadas, agora sim, a partir de 1946, no âmbito da Universidade, Universidade do Brasil. Essa… essa história da Biblioteca ela é bem interessante porque ela assiste também à evolução desse curso de Economia, quando, em 1979, são criados os cursos de Pós-Graduação. É o surgimento do Instituto de Economia Industrial, temos a sigla conhecida o IEI. Então nós temos duas vertentes, né? A Graduação que é a FEA, Economia, Administração e Contábeis e, a partir de 79, nós temos o IEI, Instituto de Economia Industrial, com a Pós-Graduação, com os vários cursos de Especialização e, também, o surgimento já do Mestrado em Economia.

Nós vamos dar um novo salto e vamos chegar em 1996, aí é a concretização de um antigo sonho da Direção, dos professores, pesquisadores que atuavam na FEA e no Instituto de Economia, que é a fusão da Graduação com a Pós. Marca, então, o surgimento daquilo que nós hoje conhecemos, o IE, o Instituto de Economia e a separação da… de Contábeis, Ciências Contábeis e Administração, que passam a constituir a FACC, Faculdade de Administração e Ciências Contábeis.

No processo evolutivo da biblioteca, da composição e constituição do seu acervo, que ela comporta os mais diferentes tipos de documentos, nós temos dissertações e teses, periódicos ou revistas técnicas, as monografias onde estão incluídos os trabalhos, os TCCs de conclusão de curso de Economia, Administração e Contábeis, falamos também… temos, também, seriados, folhetos, temos os livros né, que terminamos há pouco de mencionar.

Eu gostaria de acrescentar que a Biblioteca só passa a se chamar Eugênio Gudin em 1979, foi prestada uma bela homenagem, nós temos fotos, um acervo fotográfico, tudo isso constituindo a memória da Biblioteca. E nada mais merecido, uma vez que, como eu disse logo no início da minha fala a importância, a relevância do professor Eugênio Gudin em toda a história da criação da biblioteca foi realmente bastante significativa.

É… o nosso acervo ele sofreu um processo evolutivo, evidentemente, lá desde que aquela coisa bem rudimentar é… dos anos… de 1938, com o passar das décadas nós fomos tendo mais recursos e ampliando nosso acervo à medida, inclusive, que novos cursos como Contábeis e Administração foram atrelados à nossa… ao nosso público, ao espectro de pessoas, de público atendido pela biblioteca. Nós temos as monografias, os livros, os TCCs, trabalhos de conclusão de curso, folhetos, seriados, revistas técnicas ou periódicos, como habitualmente chamamos e todo… toda essa tipologia de documentos foi sendo ampliada ao longo das décadas.

No final dos anos 90 o SIBI, o Sistema de Bibliotecas e Informação que coordena o conjunto de bibliotecas em torno de 45, 46 bibliotecas da UFRJ, o SIBI traz como grande novidade, resultado já de um processo das novas tecnologias e da internet implementada em nosso país, surge então a Base Minerva. A Minerva é a base que congrega o acervo de bibliotecas da UFRJ e o nosso acervo, evidentemente, lá está, permitindo aos usuários presencialmente ou de maneira remota acessar o acervo de toda e qualquer biblioteca que compõe o SIBI, o Sistema de Bibliotecas e Informação.

É de se notar que o SIBI, como órgão de coordenação tem sido extraordinário na sua função criando padrões para as bibliotecas e permitindo que sejam realizados, elaborando né, estimulando a criação de cursos, cursos para gestores, para auxiliares de biblioteca, então o papel dele como agregador de todas as bibliotecas e, como coordenador dos serviços e, enfim, tarefas e atividades de todo o conjunto de bibliotecas da UFRJ tem sido altamente significativo, culminando com a criação da Base Minerva, que já temos aí praticamente 20 anos né, quase, da sua criação e vem cumprindo um papel extraordinário de levar a informação seja aqui no Brasil, em qualquer parte do mundo que a pessoa tem acesso, que o usuário tenha acesso à internet lá estará a Base Minerva fornecendo dados sobre a localização do documento. E mais recentemente também temos o Repositório Institucional, uma iniciativa do SIBI para a qual todo e qualquer objeto digital, as Teses, dissertações, os TCCs foram deslocados e deixaram de serem abrigados na Base Minerva e estão sendo alocados já de 3 anos ou 4 prá cá no Repositório Institucional, que é a grande memória da produção acadêmica da UFRJ, da Universidade.

Fica assim sendo possível em poucas palavras e linhas né, trazer prá vocês aí como o nosso acervo foi constituído.

É importante que se diga que aquilo que era absolutamente, vamos dizer assim, que exigia recursos extraordinários a cada ano, que era a renovação dos títulos de periódicos, as assinaturas, quando impressas, a partir do ano 2000, numa iniciativa da CAPES, que coordena os cursos de Pós-Graduação no Brasil, strictu senso, nós passamos a contar também com o Portal CAPES. Hoje os usuários já não fazem uso tanto da coleção impressa de periódicos, embora a nossa seja absolutamente relevante, nós temos títulos do século XIX, então é uma coleção… coleção de excelência que fica alocada, depois que nós ganhamos mais um espaço, o Armazém Bibliográfico, que fica aqui na Praia Vermelha mesmo, próximo à Biblioteca, é uma extensão da biblioteca, lá está alocada a nossa coleção de periódicos, que é altamente relevante. Alguns títulos de periódicos só a nossa biblioteca possui no Rio de Janeiro. Mas o Portal CAPES veio nos ajudar bastante e ao conjunto de bibliotecas não só da UFRJ mas do Brasil porque nós podemos acessar os arquivos, os artigos de periódicos e, até mesmo, livros eletrônicos através de… do Portal CAPES. Uma vez a editora lá fora, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Holanda publicando o periódico, imediatamente, no Brasil, nós temos acesso. Antigamente aquilo, os periódicos impressos, vinham até por navio, levavam meses para chegarem aqui ao Brasil. Então isso foi algo realmente, absolutamente relevante, uma revolução no sentido de agilizar o acesso por parte dos pesquisadores e professores e alunos de Pós-Graduação aos artigos que nós sabemos que são os periódicos que atualizam mais rapidamente as informações que chegam aos pesquisadores. Então, eu não gostaria, de forma alguma de deixar de realçar essas questões que marcam todo um processo de evolução da nossa biblioteca que tem procurado ao longo dos anos estar sintonizada com os serviços modernos, com as novas tecnologias, que é uma iniciativa que parte do SIBI e [com] a qual a nossa biblioteca guarda profunda sintonia.

Evidentemente que essa história que nós estamos falando de maneira bem sintética é uma história muito interessante. É importante também que se diga que, em 2006, vamos dar um novo salto, temos um novo curso incorporado ao atendimento da biblioteca, um novo público se faz através da criação do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, o CBG, que foi fruto de um trabalho muito interessante, de um antigo sonho de bibliotecárias da década de 40, que não puderam realizá-lo, a Professora Mariza Russo, bibliotecária recentemente falecida, ela não poupou esforços, associada à gestão como Reitor do Professor Aloísio Teixeira, que deu todo apoio, e a um trabalho também conjunto com outras bibliotecárias da UFRJ e de um conjunto de professores da UFRJ foi possível a constituição, a implementação do curso de Biblioteconomia, que é vinculado à FACC e que se constituiu, podemos assim dizer, doze anos depois, caminhando para treze anos, um sucesso.

Então nós vemos que a trajetória da biblioteca, ela é vamos dizer assim, bastante significativa, daí a gente entender como nós celebramos os 80 anos com muita alegria. Num país onde a cultura, a informação, mas, sobretudo, a cultura e a educação ainda essas duas áreas tão importantes não receberam a devida valorização, a gente começa a despertar como sociedade pra isso é digno de qualquer tipo de… não importa o tamanho, mas que se faça celebrações em torno dos 80 anos da biblioteca porque ela foi capaz de sobreviver aos grandes desafios, evidentemente que aí as Unidades que lhe deram suporte seja a FACC, atual FACC, ou Instituto de Economia, a Decania do CCJE a qual há alguns anos ela já pertence, ela está diretamente subordinada, essas instâncias todas, vários Reitores também deram suporte de alguma forma ao conjunto de bibliotecas e a nossa biblioteca foi beneficiada com isso é extremamente relevante que nós possamos comemorar com muita alegria, com muita satisfação porque foram muitos desafios, inclusive em termos físicos porque o prédio é um prédio histórico aqui na Praia Vermelha, de 1852, portanto do século XIX e sujeito a todas as intempéries, de chuvas, infiltrações. Comemoramos os 80 anos dentro de uma biblioteca restaurada, reformulada após passar por uma grande obra, recebendo seu público de volta internamente, voltando a funcionar através do sistema de livre acesso. Isso tudo nos faz absolutamente felizes nesse marco extraordinário dos 80 anos. É só a gente fechar os olhos e a gente vai ver que daqui a 20 anos, que passam tão rápido, nós estaremos comemorando o centenário da biblioteca.

Agradeço a todos e renovo aqui o convite para que visitem a biblioteca com frequência, ela está de braços abertos, com seu corpo técnico, composto de, contando com a chefia, 14 servidores sempre prontos a oferecer o melhor serviço, com uma alegria imensa de ver a casa cheia, que é a casa do usuário e levando o compromisso dos primeiros bibliotecários de 1938 e as diversas gerações que passaram pela biblioteca de servir da melhor forma possível, democratizar o conhecimento e receber a todos de braços abertos. Muito obrigada!”